Gateway, adquirente, subadquirente: qual a melhor opção para receber mensalidades escolares por cartão

Gateway, adquirente, subadquirente: qual a melhor opção para receber mensalidades escolares por cartão

O mercado financeiro vive um período de muitas transformações e elas têm impactado a forma como escolas e faculdades recebem as mensalidades. Provavelmente, o maior volume de recebimentos ainda passe pelos boletos bancários. O problema é que eles exigem registros, tempo de processamento, remessas e retornos. Receber por cartão de crédito ou débito simplifica e agiliza muito esse processo. Mas, por ser menos comum em instituições de ensino, a contratação exige a definição do modelo ideal e cotações com adquirentes, subadquirentes, gateway, avaliação de integrações e compreensão sobre as taxas envolvidas.

Tudo isso pode ser um pouco complexo e dá vontade de desistir antes mesmo de começar. Se esse é o seu sentimento, bem, você está lendo o artigo certo. Nós vamos simplificar isso e conhecer melhor cada um desses modelos. Conheça as vantagens e desvantagens de cada um e saiba como eles funcionam.

No final deste artigo você terá informações suficientes para decidir qual o melhor modelo para a sua instituição. E conhecerá também os detalhes envolvidos para que você saiba como negociar com cada empresa.

 

Mas, cartão? Qual o problema de usar apenas o boleto?

Para gerar um boleto é necessário que a sua instituição tenha uma conta em banco e tenha negociado boas taxas para as emissões. Já o pagamento, exige que o pagador também tenha uma conta em banco ou uma conta digital (o modelo tem se popularizado muito). O número de pagamento em dinheiro vivo, em lotéricas ou banco, tem caído mês a mês. Ou seja, de alguma forma, a sua operação de recebimentos já é “digital”, mas sem os benefícios de uma operação digital de verdade.

Os serviços financeiros estão sendo digitalizados de forma muito rápida, e as empresas fornecedoras de serviços precisam acompanhar esse movimento e usufruir das vantagens que o modelo oferece.

O pagamento on-line de produtos e serviços já é algo comum. Certamente você já usou o seu cartão em novas compras realizadas via internet, no pagamento de seguros, contratação de plano de celular, serviços de música ou de streaming de vídeos. Quando um consumidor vai pagar por qualquer um destes itens, o movimento natural é buscar os dados do cartão de crédito.

De modo geral, os consumidores já estão prontos para a nova realidade. E já existe tecnologia disponível para viabilizá-la para as instituições de ensino. É uma questão de tempo para que a transformação ganhe força e se torne ainda mais popular. E quando isso se tornar requisito, ganha pontos quem já tiver com o modelo aplicado e consolidado.

 

Como ter um cartão de crédito e débito

Este artigo fala sobre os modelos de contratação de serviços para receber mensalidades por cartão de crédito ou débito. Mas, antes de mais nada, precisamos entender o que é necessário para que qualquer pessoa (os seus alunos/clientes) tenham um desses cartões. Esses termos serão repetidos diversas vezes no decorrer desse artigo:

Banco emissor:

São as instituições bancárias tradicionais ou cooperativas, como a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Sicredi, Viacredi. Ou ainda, as contas virtuais como o Banco Inter, Next, Original, NuBank. São eles quem fornecem cartões para seus clientes e definem o crédito de cada pessoa, ou, vinculam o crédito ao saldo na conta para que os débitos funcionem.

Bandeira do Cartão:

Quando um banco emissor gera um cartão, ele está associado a uma bandeira. Exemplos: Mastercard, Visa, Elo, Hipercard, American Express. Quando uma transação por cartão acontece, são essas bandeiras que fazem o vínculo da transação até a conta do cliente no banco.

 

Com o plástico mágico em mãos (isso também já é antigo, os cartões e as carteiras virtuais também estão se popularizando), os clientes estarão prontos para realizar pagamentos. Mas pra isso acontecer é necessário que as empresas estejam prontas para recebê-los. E isso pode acontecer por várias formas: as máquinas físicas de cartões (estilo supermercado e posto de gasolina), ou, serviços on-line integrados ao seu software de gestão.

 

Adquirentes

Primeiramente, vamos falar de algo comum em todos os modelos de uso: a presença das adquirentes. Você provavelmente já ouviu falar em Cielo, Stone, Global Payments, Rede, Safra Pay… Elas também são chamadas de “credenciadoras”. São as responsáveis pelo processamento das operações com cartões de crédito e débito e fazem a ponte da transação entre a bandeira do cartão e o banco emissor.

O recebimento dos valores, usando as adquirentes, pode ser feito pelas famosas maquininhas de cartões. O uso é normal em locais e serviços em que o cliente compra e recebe um produto no ato, em que não exista uma recorrência de entrega de serviços e pagamentos por isso. Caso a sua instituição utilize uma dessas máquinas, o aluno fará o pagamento presencialmente e o funcionário da instituição confirmará a baixa em seu sistema.

Outra forma de utilização é fazendo a integração on-line entre uma adquirente e o seu ERP educacional. Dessa forma, os alunos podem realizar pagamentos de taxas de inscrições ou mensalidades, evento a evento, diretamente por um ambiente web.

Vantagens da contratação direta de Adquirentes:

  • A implantação das máquinas físicas sem integração é barata e rápida
  • A mudança do adquirente é fácil, permitindo uma substituição rápida de “maquininhas” sempre que surgir uma oportunidade melhor com taxas menores
  • É ideal para pagamento de taxas de inscrições ou matrículas e para o recebimento de mensalidades em que o aluno está fisicamente na instituição

Desvantagens da contratação direta de Adquirentes:

  • A contratação é um pouco burocrática e leva alguns dias para que a conta esteja liberada para uso
  • A integração com ambientes web requer grande esforço operacional e manutenção periódica do uso
  • A baixa dos recebimentos feitos pelas máquinas de cartões é feita manualmente, há margem para erros de digitação
  • Alto esforço operacional e tempo dos colaboradores da instituição
  • O uso é exclusivo para pagamentos manuais, título a título, não possui tecnologia para a recorrência de recebimentos, item fundamental para instituições de ensino

 

Subadquirentes

Outro modelo que está disponível é a contratação de serviços financeiros que simplificam essa operação com cartões. As subadquirentes mais conhecidas são o PagSeguro e o PayPal. O forte dessas empresas é intermediar transações financeiras, criando meios mais fáceis de viabilizar pagamentos e recebimentos. Mas elas não estão livres do uso de adquirentes, todas as operações precisam passar por elas.

A contratação direta de subadquirentes é mais comum em instituições com um volume de transações menor e que no médio prazo não fará a ampliação deste serviço.

Vantagens da contratação direta de Subadquirentes:

  • A contratação é rápida e fácil, pode ser feita totalmente on-line
  • A possibilidade de receber pagamentos pode ser feita imediatamente
  • A integração com outros sistemas pode ser feita de forma mais ágil se comparada a contratação direta da Adquirente

Desvantagens da contratação direta de Subadquirentes:

  • O custo por transação é maior do que a contratação direta da Adquirente
  • As taxas das transações são maiores do que os demais modelos
  • Menor capacidade de negociação de taxas diferenciadas conforme volume de transações e ticket médio de transações
  • Maior risco das transações por cartões serem rejeitadas e isso gerar perda de recebimentos, já que é a subadquirente que avalia a aprovação ou não da transação e assume o risco

 

Gateway de Recebimentos

Por fim, o modelo que traz muito mais tecnologia no uso.

Os gateways de pagamento são, assim como os subadquirentes, intermediadores de transações entre quem está pagando e quem está recebendo. A diferença é que a contratação da adquirente fica clara e transparente para a instituição de ensino. Ela pode, inclusive, contratar mais de uma adquirente e deixar que o gateway direcione as transações entre elas. Isso permite uma flexibilidade de mudanças e de busca continua pelas menores taxas. Uma das pioneiras deste segmento no Brasil é a Vindi.

O uso de gatways é recomendado para sites com e-commerce e para empresas que gerem serviços mensais e contínuos. Alguns exemplos de empresas que usam estes serviços: Netflix, Spotify, academias, instituições de ensino. Os gatways disponibilizam, não apenas a transação, mas uma inteligência maior para as operações de pagamento e recebimento. Dentre os recursos disponíveis, o que merece um destaque é a possibilidade da realização das cobranças recorrentes, onde o estudante pode preencher os dados do cartão uma única vez e em todos os meses o gateway processa o pagamento. Isso acontece automaticamente, independe de qualquer ação do estudante. Certamente, isso somado a outros recursos, reduz a inadimplência e o esforço operacional das equipes internas da instituição.

Vantagens da contratação direta de um Gateway:

  • A inteligência de recebimentos para pagamentos recorrentes de mensalidades e serviços
  • Redução do esforço operacional da instituição e da inadimplência
  • Possibilidade de negociação de valores e de comparação de adquirentes na contratação inicial
  • Flexibilidade e facilidade para a mudança de adquirentes dando mais liberdade para alterações futuras buscando melhores taxas de transações

Desvantagens da contratação direta de um Gateway:

  • A contratação inicial pode ser um pouco burocrática
  • O uso do serviço de inteligência de recorrência demanda investimento

 

Mas afinal, qual é o melhor modelo para o recebimento de mensalidades?

Nós conhecemos as possíveis formas para o recebimento por cartões de crédito e débito. Cada um possui uma tecnologia e um modelo de utilização diferente. Eles geram experiências distintas, tanto para o estudante quanto para a gestão financeira da sua instituição.

O que a sua instituição está buscando? Apenas, receber mensalidades por cartões na tesouraria? Fazer isso de forma on-line, parcela a parcela? Uma inteligência de recebimentos com cobranças recorrentes automáticas através de um gateway? Compare as suas respostas as informações acima e você saberá qual o melhor modelo para a sua instituição. Certamente, agora você tem condições de avaliar melhor, cada um destes modelos.

Após saber o que a sua instituição precisa (adquirente, subadquirente ou gateway), contate as empresas para avaliar as taxas e os valores envolvidos no processamento. Conheça, compare, avalie. E tome a sua decisão.